Domingo, Junho 28, 2009
Did we really care about him?
Será que alguma vez nos importámos realmente com ele? Tentámos perceber as suas atitudes, as suas músicas, as suas excentricidades, a sua imagem? Se calhar, se tivessemos tentado perceber tudo isso, o Michael ainda estaria vivo hoje. Ou então não, não sabemos. Não interessa. Quem tem o talento que ele tinha, nunca morre.
Bailarino, cantor, actor. Não sei o que gosto mais de o ver ser...Acho que ele foi fabuloso nas três artes. Polivalente, como um verdadeiro artista. Inteiro no que fazia.
(Hoje passei a maior parte do dia a ouvir as músicas dele, a descobrir algumas que não conhecia, e a rever videoclips que me deixaram ainda com mais pena pela sua morte. Ele foi grande.)
Sábado, Junho 27, 2009
Rei da Pop
Quando era mais nova e morava com os meus pais, havia uma parabólica lá em casa. Um prato enorme e branco estrategicamente colocado no telhado, virado para o espaço à procura de apanhar os canais que fosse possível. E apanhava muitos. Só não eram aqueles que eu queria ver, mas apanhava muitos. Um deles fazia as delícias das minhas tardes sozinha em casa. Passava música a toda a hora, música "antiga", que tinha marcado talvez a geração da minha irmã ou dos meus tios mais novos. Músicas de lendas como Michael Jackson, Prince, e outros mais "excêntricos", eram a banda sonora das minhas tardes, enquanto dançava à frente da televisão ou simplesmente me estendia no sofá a matar o tempo.
Por isso, a notícia da morte do Rei da Pop, a quem eu seguia os passos e de quem admirava os videoclips, os movimentos, as interpretações, caiu-me mal. Tive mesmo pena, porque ele fazia parte das minhas memórias mais queridas, e por tudo aquilo que ele representou, principalmente na música, onde estava muito à frente do seu tempo.
Se calhar, ele tinha razão quando escreveu "Man in the Mirror", em 1988. Às vezes o mundo à nossa volta só muda se começarmos as mudanças em nós. E acho que ele passou a vida a tentar mudar-se, pelo menos por fora, para mudar o mundo. Em vão?
"I'm starting with the man in the mirror / I'm asking him to change his ways / And no message could have been any clearer / If you wanna make the world a better place / Take a look at yourself, and then make a change."
Rest in peace, finally. Where there is no need to change anymore, because there is already a good place.
Segunda-feira, Junho 08, 2009
País das maravilhas
Estocolmo, na Suécia, vai ser a primeira Capital Verde Europeia em 2010.
Vaxjo, uma cidade no Sul da Suécia, é a cidade mais verde na Europa. Lá, os banhos são aquecidos a biogás, feito a partir de resíduos orgânicos, que as entidades municipais recolhem junto dos habitantes.
O governo sueco dá apoios financeiros (quase mil euros) a quem comprar carros ecológicos e quem os compra estaciona de graça em quase toda a Suécia.
Na Suécia, há um imposto de carbono, que os contribuintes pagam cada vez que enchem o depósito dos automóveis - à custa desta taxa, as emissões de dióxido de carbono diminuiram 20 por cento desde 1991.
Na Suécia, os governos locais são mais ricos do que o governo central, porque cerca de 80 por cento das receitas dos impostos têm como destino os cofres dos municípios. Aqueles que realmente precisam do dinheiro para implantar as políticas necessárias à escala local.
Pensar global e agir localmente.
Quando for grande, quero ir morar pra Suécia. Quero lá saber que eles passem uma parte do ano a bater o dente...
Vaxjo, uma cidade no Sul da Suécia, é a cidade mais verde na Europa. Lá, os banhos são aquecidos a biogás, feito a partir de resíduos orgânicos, que as entidades municipais recolhem junto dos habitantes.
O governo sueco dá apoios financeiros (quase mil euros) a quem comprar carros ecológicos e quem os compra estaciona de graça em quase toda a Suécia.
Na Suécia, há um imposto de carbono, que os contribuintes pagam cada vez que enchem o depósito dos automóveis - à custa desta taxa, as emissões de dióxido de carbono diminuiram 20 por cento desde 1991.
Na Suécia, os governos locais são mais ricos do que o governo central, porque cerca de 80 por cento das receitas dos impostos têm como destino os cofres dos municípios. Aqueles que realmente precisam do dinheiro para implantar as políticas necessárias à escala local.
Pensar global e agir localmente.
Quando for grande, quero ir morar pra Suécia. Quero lá saber que eles passem uma parte do ano a bater o dente...
Quinta-feira, Junho 04, 2009
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Tenho sonhado com ele.
Nos dias em que tudo corre mal, em que os nervos andam à flor da pele e me sinto fora de mim. Nesses dias, nessas noites, sonho com ele. É tão real que parece que sinto o cheiro dele, é tão real que acordo a chorar, é tão real que podia ser verdade. Aconteceu uma vez e eu achei normal, mas quando voltou a acontecer comprovei a teoria. Ele aparece nos meus sonhos apenas quando tenho aquela vontade louca de desaparecer. Se calhar é para me dizer que vale a pena ficar por cá...que os problemas vêm e vão. Como nós.
Nos meus sonhos, ele está vivo, afinal. Morreu, sim, mas é como se ressuscitasse, por milagre, passados todos estes meses. Esteve não sei muito bem onde a fazer não sei muito bem o quê, mas está vivo, e isso é só o que importa.
Nesses sonhos, volto a ouvi-lo chamar-me "nha nina" ou "mô amor", como fazia sempre que me queria ao pé dele para dizer os disparates do costume, ou para me pedir o que quer que fosse. Pode parecer estranho, mas essas são mesmo as expressões que mais sinto falta de ouvir da boca dele. É uma coisa tão pequena a que eu não dava valor nenhum, até achava lamechas e infantil, mas hoje dava tudo para que me voltassem a chamar assim com aquela ternura.
E isto agora pode parecer estúpido porque...sim, muitas vezes desejei que ele morresse. Admito isso porque, enfim, é a verdade. Estava a tornar-se um fardo demasiado pesado, não tanto para mim, mas para eles. E por vezes fui cruel, acho eu. Fomos todos um pouco. E ele também foi. Por isso considero que estamos todos perdoados.
Quando vou ao cemitério e deixo flores na campa dele (roxas, para ele saber que fui eu), não sinto nada. Ou sinto muito pouco. Acho que até sinto mais quando visito as campas de outras pessoas conhecidas, amigas ou vizinhas, que entretanto morreram e me deixaram saudades. Se calhar é porque não o sinto ali. Para mim, ele não está ali. Está onde? Não sei dizer.
Se fecho os olhos e quero chorar (chorar alivia), penso nele na cama do hospital na última noite que o vi e que ele não me viu. Quer dizer, os médicos disseram que ele via e ouvia, mas não me parece verdade. Os olhos dele pareciam os dos bonecos com que brincava na minha infância. Sabem aqueles olhos parados, vidrados, de bonecos de peluche? Eram assim... E o corpo dele respirava com dificuldade, e eu só queria vir embora porque tinha medo que ele morresse à minha frente. Acho que não iria aguentar.
Queria muito saber se ele me ouviu.
Queria muito ter-me despedido dele em condições. Mas são tão raras as vezes em que isso acontece, não é?
Desculpem, isto começa a tornar-se o meu consultório. Prometo ser mais feliz num próximo post.
Nos dias em que tudo corre mal, em que os nervos andam à flor da pele e me sinto fora de mim. Nesses dias, nessas noites, sonho com ele. É tão real que parece que sinto o cheiro dele, é tão real que acordo a chorar, é tão real que podia ser verdade. Aconteceu uma vez e eu achei normal, mas quando voltou a acontecer comprovei a teoria. Ele aparece nos meus sonhos apenas quando tenho aquela vontade louca de desaparecer. Se calhar é para me dizer que vale a pena ficar por cá...que os problemas vêm e vão. Como nós.
Nos meus sonhos, ele está vivo, afinal. Morreu, sim, mas é como se ressuscitasse, por milagre, passados todos estes meses. Esteve não sei muito bem onde a fazer não sei muito bem o quê, mas está vivo, e isso é só o que importa.
Nesses sonhos, volto a ouvi-lo chamar-me "nha nina" ou "mô amor", como fazia sempre que me queria ao pé dele para dizer os disparates do costume, ou para me pedir o que quer que fosse. Pode parecer estranho, mas essas são mesmo as expressões que mais sinto falta de ouvir da boca dele. É uma coisa tão pequena a que eu não dava valor nenhum, até achava lamechas e infantil, mas hoje dava tudo para que me voltassem a chamar assim com aquela ternura.
E isto agora pode parecer estúpido porque...sim, muitas vezes desejei que ele morresse. Admito isso porque, enfim, é a verdade. Estava a tornar-se um fardo demasiado pesado, não tanto para mim, mas para eles. E por vezes fui cruel, acho eu. Fomos todos um pouco. E ele também foi. Por isso considero que estamos todos perdoados.
Quando vou ao cemitério e deixo flores na campa dele (roxas, para ele saber que fui eu), não sinto nada. Ou sinto muito pouco. Acho que até sinto mais quando visito as campas de outras pessoas conhecidas, amigas ou vizinhas, que entretanto morreram e me deixaram saudades. Se calhar é porque não o sinto ali. Para mim, ele não está ali. Está onde? Não sei dizer.
Se fecho os olhos e quero chorar (chorar alivia), penso nele na cama do hospital na última noite que o vi e que ele não me viu. Quer dizer, os médicos disseram que ele via e ouvia, mas não me parece verdade. Os olhos dele pareciam os dos bonecos com que brincava na minha infância. Sabem aqueles olhos parados, vidrados, de bonecos de peluche? Eram assim... E o corpo dele respirava com dificuldade, e eu só queria vir embora porque tinha medo que ele morresse à minha frente. Acho que não iria aguentar.
Queria muito saber se ele me ouviu.
Queria muito ter-me despedido dele em condições. Mas são tão raras as vezes em que isso acontece, não é?
Desculpem, isto começa a tornar-se o meu consultório. Prometo ser mais feliz num próximo post.
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Tenho em mim demasiadas interrogações
Demasiadas perguntas sem resposta
Muitas dúvidas e
Acima de tudo
Muitas vontades.
Não sei por onde começar...
Demasiadas perguntas sem resposta
Muitas dúvidas e
Acima de tudo
Muitas vontades.
Não sei por onde começar...
Inutilidades
Sinto-me cada vez mais inútil. À medida que o tempo passa, à medida que os dias correm, sinto cada vez mais que nada do que faço importa. Levanto-me todos os dias à mesma hora, faço o percurso de sempre para o sítio de sempre, para me sentar na secretária e abrir o computador, começar a mandar mails, qual autómato programado para uma lenga-lenga que é sempre tão igual...
Mails, telefonemas, questões, respostas, pesquisas...nada disto faz a diferença. O que escrevo interessa a poucos, e chega a quase nenhuns.
Acaba o dia, fecho o computador, apanho o metro e faço o caminho de sempre, para o sítio de há uns meses. Chegar a casa, comer, dormir, levantar no dia seguinte à mesma hora. Sempre com a sensação de que sou um robot, mas um robot inútil, a quem pagam para escrever coisas inúteis. Inúteis porque não fazem a diferença.
Preciso de mais. Preciso de sentir que sou importante para alguém, que mudei o dia de alguém com quem me cruzei, que ajudei alguém a ser mais feliz, mais atento ao mundo, mais informado e portanto mais livre.
Será que consigo fazer isso aqui??
Não me parece....
Mails, telefonemas, questões, respostas, pesquisas...nada disto faz a diferença. O que escrevo interessa a poucos, e chega a quase nenhuns.
Acaba o dia, fecho o computador, apanho o metro e faço o caminho de sempre, para o sítio de há uns meses. Chegar a casa, comer, dormir, levantar no dia seguinte à mesma hora. Sempre com a sensação de que sou um robot, mas um robot inútil, a quem pagam para escrever coisas inúteis. Inúteis porque não fazem a diferença.
Preciso de mais. Preciso de sentir que sou importante para alguém, que mudei o dia de alguém com quem me cruzei, que ajudei alguém a ser mais feliz, mais atento ao mundo, mais informado e portanto mais livre.
Será que consigo fazer isso aqui??
Não me parece....
Sábado, Abril 18, 2009
Xutos&Pontapés no Engenheiro
É muito bom. Não é jornalismo, não é digno de passar num telejornal, mas é muito bom.
Terça-feira, Abril 14, 2009
Lo diré corto, lo diré rápido y lo diré claro: yo no creo que el periodismo sea un oficio menor, una suerte de escritura de bajo voltaje a la que puede aplicarse una creatividad rotosa y de segunda mano.
Es cierto que buena parte de lo que se publica consiste en textos que son al periodismo lo que los productos dietéticos son a la gastronomía: un simulacro de experiencia culinaria. Pero si me preguntan acerca de la pertinencia de aplicar la escritura creativa al periodismo, mi respuesta es el asombro: ¿no vivimos los periodistas de contar historias? ¿Y hay, entonces, otra forma deseable de contarlas que no sea contarlas bien?
(Leila Guerriero, in El Mal Pensante - www.elmalpensante.com)
Concordo, assino por baixo. Tenho pena de não contar tantas histórias como gostaria. Um dia ainda hei-de fazê-lo bem, como deve ser, como sempre quis. E depois hei-de fartar-me e querer fazer outra coisa qualquer. Só para depois ter saudades...
Es cierto que buena parte de lo que se publica consiste en textos que son al periodismo lo que los productos dietéticos son a la gastronomía: un simulacro de experiencia culinaria. Pero si me preguntan acerca de la pertinencia de aplicar la escritura creativa al periodismo, mi respuesta es el asombro: ¿no vivimos los periodistas de contar historias? ¿Y hay, entonces, otra forma deseable de contarlas que no sea contarlas bien?
(Leila Guerriero, in El Mal Pensante - www.elmalpensante.com)
Concordo, assino por baixo. Tenho pena de não contar tantas histórias como gostaria. Um dia ainda hei-de fazê-lo bem, como deve ser, como sempre quis. E depois hei-de fartar-me e querer fazer outra coisa qualquer. Só para depois ter saudades...
Sábado, Abril 11, 2009
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Tenho saudades dele.
Da forma como me falava, como me chamava, como me tratava. Como se eu fosse o seu segundo maior tesouro. O seu segundo amor. O primeiro, já se sabe, era o meu pai. Talvez a hierarquia até nem fosse esta, mas estava lá perto. Especialmente nos últimos tempos, em que a sua grande paixão - o trabalho - estava já no último lugar da lista de prioridades. Não vale a pena trabalhar tanto, se afinal um dia isso não vale de nada. Ainda assim, o trabalho engrandece, torna-nos melhores. Bem sei.
Quando eu era criança, havia ali uma relação de amor-ódio, reconheço. Não gostava dele por um milhão de razões que não vale a pena contar. No entanto, foi ele quem me ensinou a escrever direito, a contar, a fazer contas...a prova dos 9...fiquei expert na prova dos 9 à custa dele. Era ele quem me fazia companhia depois da escola, quem via os meus trabalhos de casa, quem me ralhava se fazia mal e me ensinava a fazer bem.
Era ele que me apanhava a dançar sozinha no meio da sala, no meio das minhas fantasias de criança. Também era ele quem me acordava às 7 da manhã de domingo com o seu rádio (que foi o meu rádio tantas vezes) nas alturas, porque não ouvia bem. Que raiva, pensava eu. Não imaginava que um dia iria ter saudades dessas pequenas coisas, até daqueles episódios em que só me apetecia bater-lhe por ser tão inconveniente à frente das outras pessoas a falar bem de mim, como se eu fosse a maior do mundo. Até era, mas só do mundo dele.
Fez-me prometer um monte de coisas antes de morrer. Pensava ele que, de cada vez que eu ia, já não iria vê-lo vivo quando voltasse. Nunca era assim, ele estava cá sempre quando eu voltava, sempre a chamar por mim ou pelo seu rapaz. Ou por alguém, porque ele precisava de toda a gente, embora não quisesse reconhecê-lo por vezes.
Ele estava cá sempre, até que um dia deixou de estar. Mesmo assim, parece que esteve mesmo à minha espera antes de ir embora. Não sei se era ele ainda ali, naquele corpo ainda quente, imóvel, os olhos cristalizados, o coração ainda a bater fraco. Se era ele, ainda me ouviu, horas antes de partir. Ouviu-me chorar e prometer que vou fazer tudo o que ele me pediu tantas vezes. E que por isso podia ir descansado. E depois disso, ele foi.
Já passaram quase dois meses e ainda não tinha conseguido escrever sobre isto. Não sei muito bem porquê, mas não foi por falta de vontade. Chorar, ainda choro. Pensar, ainda penso. Saudades, sinto cada vez mais. Mas é normal, eu sei. E tinha de ser, porque afinal ninguém é imortal, nem aquelas pessoas que parecem de ferro, como ele.
Quero acreditar que agora ele está melhor e está a olhar por mim, a ver os meus sucessos e a dizer-me baixinho que os insucessos só servem para nos fazer crescer. Se assim for, aceito.
PS: "We're meant to lose the people we love. How else would we know they're important to us?"
in The Curious Case of Benjamin Button
Da forma como me falava, como me chamava, como me tratava. Como se eu fosse o seu segundo maior tesouro. O seu segundo amor. O primeiro, já se sabe, era o meu pai. Talvez a hierarquia até nem fosse esta, mas estava lá perto. Especialmente nos últimos tempos, em que a sua grande paixão - o trabalho - estava já no último lugar da lista de prioridades. Não vale a pena trabalhar tanto, se afinal um dia isso não vale de nada. Ainda assim, o trabalho engrandece, torna-nos melhores. Bem sei.
Quando eu era criança, havia ali uma relação de amor-ódio, reconheço. Não gostava dele por um milhão de razões que não vale a pena contar. No entanto, foi ele quem me ensinou a escrever direito, a contar, a fazer contas...a prova dos 9...fiquei expert na prova dos 9 à custa dele. Era ele quem me fazia companhia depois da escola, quem via os meus trabalhos de casa, quem me ralhava se fazia mal e me ensinava a fazer bem.
Era ele que me apanhava a dançar sozinha no meio da sala, no meio das minhas fantasias de criança. Também era ele quem me acordava às 7 da manhã de domingo com o seu rádio (que foi o meu rádio tantas vezes) nas alturas, porque não ouvia bem. Que raiva, pensava eu. Não imaginava que um dia iria ter saudades dessas pequenas coisas, até daqueles episódios em que só me apetecia bater-lhe por ser tão inconveniente à frente das outras pessoas a falar bem de mim, como se eu fosse a maior do mundo. Até era, mas só do mundo dele.
Fez-me prometer um monte de coisas antes de morrer. Pensava ele que, de cada vez que eu ia, já não iria vê-lo vivo quando voltasse. Nunca era assim, ele estava cá sempre quando eu voltava, sempre a chamar por mim ou pelo seu rapaz. Ou por alguém, porque ele precisava de toda a gente, embora não quisesse reconhecê-lo por vezes.
Ele estava cá sempre, até que um dia deixou de estar. Mesmo assim, parece que esteve mesmo à minha espera antes de ir embora. Não sei se era ele ainda ali, naquele corpo ainda quente, imóvel, os olhos cristalizados, o coração ainda a bater fraco. Se era ele, ainda me ouviu, horas antes de partir. Ouviu-me chorar e prometer que vou fazer tudo o que ele me pediu tantas vezes. E que por isso podia ir descansado. E depois disso, ele foi.
Já passaram quase dois meses e ainda não tinha conseguido escrever sobre isto. Não sei muito bem porquê, mas não foi por falta de vontade. Chorar, ainda choro. Pensar, ainda penso. Saudades, sinto cada vez mais. Mas é normal, eu sei. E tinha de ser, porque afinal ninguém é imortal, nem aquelas pessoas que parecem de ferro, como ele.
Quero acreditar que agora ele está melhor e está a olhar por mim, a ver os meus sucessos e a dizer-me baixinho que os insucessos só servem para nos fazer crescer. Se assim for, aceito.
PS: "We're meant to lose the people we love. How else would we know they're important to us?"
in The Curious Case of Benjamin Button
Terça-feira, Abril 07, 2009
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